Um lugar tranquilo

Berning, Carol livro m

Paz

De vez em quando,
procura um espaço de silêncio.
O barulho excessivo é prejudicial.
 

Um lugar tranquilo

Por vezes, uma pessoa precisa de um lugar tranquilo. Um sítio para descansar os ouvidos de campainhas a tocar, de apitos a silvar, de adultos a falar, de motores a roncar, de buzinas a apitar, de rádios a tocar, de adultos…Bom, até os adultos precisam de um lugar tranquilo. Mas encontrar um pode ser difícil. Tens de saber onde procurar.

Podias procurar por baixo de um arbusto, de um lilás, no teu quintal. Debaixo deles, todos os sons do mundo parecem abafados e distantes. E podes ser um pirata numa ilha deserta, à procura de um tesouro enterrado!

O teu lugar tranquilo podia ser um arbusto.

Até que alguém te chama para ires limpar o teu quarto. Então…

 

Podias procurar no bosque. Talvez encontres um tronco velho que sirva de cadeira, ou um cepo com musgo a servir de sofá numa mansão verde de sombras e de raios de sol. Claro que não é muito silencioso. Os gaios azuis gritam e o vento canta nas folhas. Mas tudo parece calmo. E podes ser um lobo, o fantasma cinzento da floresta!

O teu lugar tranquilo podia ser o bosque.

Mas se o bosque é demasiado escuro e profundo…

 

Podias procurar à beira-mar, na praia, numa manhã de nevoeiro, onde as tuas pegadas na areia são as primeiras do dia. As ondas marulham e as gaivotas soltam gritos…E podes ser um explorador à procura de um continente perdido!

A praia podia ser o teu lugar tranquilo.

Mas se a praia não é bem aquilo de que gostas…

 

Podias procurar no deserto, onde o Velho Sanguaro tenta alcançar o céu e, ao longe, as nuvens parecem flores que caem das alturas sobre os planaltos. Uma carriça dos catos aparece para fazer uma visita, enquanto um sapo cabeçudo brilha ao sol. E podes ser um cavaleiro do Pony Express galopando pelo velho Oeste!

O deserto podia ser o teu lugar tranquilo.

 

Mas se o deserto for um pouco seco demais…

Podias sentar-te junto de um lago. Perto da margem, uma garça-real está imóvel como o tronco de uma árvore, e a água está tão calma que parece um espelho. Uma rã salta de uma folha de nenúfar e o teu rosto agita-se. E podes ser o melhor pescador do mundo!

Um lago podia ser o teu lugar tranquilo.

Mas se os peixes não estão a morder…

 

Podias procurar numa caverna, onde os passos ecoam e o gotejar lento da água forma novas rochas que caem como pingentes de gelo ou se erguem como esculturas. Onde os dias e as noites, as semanas e os anos são todos iguais. E podes ser um habitante das cavernas no antro do tigre com dentes de sabre!

O teu lugar tranquilo podia ser uma caverna.

Mas se a caverna for demasiado fria e húmida…

 

Podias subir até ao cume de um monte, onde as nuvens flutuam como barcos ou jacarés ou elefantes. Consegues ver até muito longe e refletir longamente sobre “Como”, “O quê” e “Porquê”. E podes ser um alpinista no topo do mundo!

O cume da montanha podia ser o teu lugar tranquilo.

Mas se as tuas pernas estão demasiado cansadas para escalar…

 

Podias esperar por um dia de neve e deitar-te nela. A neve que cai à tua volta sussurra “Ch-ch-ch-i-i-u” e envolve o mundo em silêncio. Se escutares com mais atenção, consegues ouvi-la respirar. Também tu respiras devagar. E podes ser um urso polar a dormir num país onde o silêncio da neve não acaba nunca!

O teu lugar tranquilo podia ser um monte de neve…

Mas se estiver demasiado quente para haver neve…

 

Podias ir visitar um museu onde tigres de latão e leões de bronze guardam silenciosamente tesouros fabulosos. Cada quadro é uma janela mágica que a tua imaginação pode abrir de par em par e atravessar. E podes ser um artista a admirar as tuas próprias obras-primas!

O teu lugar tranquilo podia ser um museu.

Mas se o museu está fechado para obras de remodelação…

 

Podias ir para um canto secreto da biblioteca onde as únicas pessoas que falam estão dentro dos livros. Falam tão baixinho, que só na tua cabeça consegues ouvi-las. E podes ser aquele que percorre florestas e mares e desertos e grutas, e museus e centenas de outras coisas!

O teu lugar tranquilo podia ser uma biblioteca.

Mas se a biblioteca ainda não está aberta…

 

E podes vir para casa, arrumar o teu quarto e ler os teus livros. E pensar os teus pensamentos e sentir os teus sentimentos e…descobrir o lugar mais tranquilo de todos! Aquele que sempre te acompanha, onde quer que vás ou onde quer que fiques…

O lugar que está dentro de ti!

Douglas Wood
A Quiet Place
New York, Simon and Schuster, 2002
(Tradução e adaptação)

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