Tapete voador

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Desejas um tapete mágico que, num abrir e fechar de olhos, te leve aos confins da Terra? Uma máquina de viajar no tempo, para o futuro a haver, desconhecido, para o passado histórico ou para aquele em que os animais falavam?

Companheiros para correrem contigo a aventura de mares ignorados e de ilhas que os mapas não registam? Conhecer mundos para além do nosso sistema solar, a anos-luz da nossa galáxia, sem necessidade de foguetão?

Saber a idade de uma pedra ou os mistérios da realidade, das águas, dos bichos, dos pássaros e das estrelas?

Descobrir a arca encantada, onde se guardam os vestidos “cor do tempo”, das princesas de “era uma vez”, aquelas que se transformavam em pombas ou dormiam em caixões de cristal, à espera que o príncipe viesse despertá-las?

Desfolhar as pétalas do sonho no país da noite?

Abre um livro.

Um livro é tudo isso de cada vez e, às vezes, ao mesmo tempo. Um livro permite-te contactar com outras imaginações, outras sensibilidades. É a possibilidade de estares noutros lugares, sem abandonares o teu chão, de ouvires pulsar outros corações, de vestires a pele humana de outro ou outros.

Sem deixares de ser tu.

E com o livro a varinha de condão não está na mão das fadas, está em teu poder. É do
teu olhar, de cada vez que te dispões a ler, que nascem aqueles mundos, caleidoscópicos, de maravilha – e só desaparecem quando fechas o livro.

Mas, a um gesto do teu querer, voltarão a surgir sempre, sempre, sempre…

Luísa Dacosta
Infância e Palavra
Porto, Ed. Asa, 2001

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