A estrela partida

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Valores: solidariedade

A estrela Brilhantina estava muito triste porque tinha perdido uma das cinco pontas, não sabia nem onde nem como. Na noite anterior tinha saído com as outras estrelas, como sempre fazia, mas porque estava muito cansada, adormeceu. Ao acordar, viu que lhe faltava uma das pontas e, de imediato, procurou-a por todo o céu, mas não a encontrou.

— E agora, o que é que eu faço? — dizia às suas amigas, muito preocupada. Já não sou uma estrela perfeita, sou uma estrela partida… Esta noite não poderei iluminar o céu, tenho vergonha que me vejam assim!

As amigas sentiram pena dela e tentaram animá-la:
— Brilhantina, não te preocupes, vamos ajudar-te a encontrar a ponta que te falta.

Ao amanhecer, as estrelas não se deitaram, como sempre faziam, e partiram pelos céus à procura da ponta….

O Sol, achando estranho que as estrelas estivessem levantadas àquela hora da manhã, perguntou-lhes:
— O que é que andam a fazer? Não deviam estar a dormir?

E as estrelas responderam:
— Estamos à procura da ponta que a nossa amiga Brilhantina perdeu. Se não a encontrarmos antes do anoitecer, ela não poderá iluminar o céu esta noite.

— Que boas amigas tem a Brilhantina! Querem ajuda? Conheço melhor o dia do que qualquer uma de vós…
— Muito obrigada, senhor Sol —disseram todas em uníssono.

O Sol e as estrelas procuraram por todo o lado, mas não encontraram a ponta da estrela Brilhantina.

O Vento passava por ali naquele momento e, ao ver as estrelas, perguntou-lhes:
— Que fazem a esta hora, por aqui, na companhia do Sol?
Entre todas explicaram o que se passava e porque precisavam de encontrar a ponta perdida antes do anoitecer.

Então o Vento perguntou:
— Querem a minha ajuda? Eu conheço muitos lugares, sou mais rápido e posso entrar em todo o lado, por mais estreita que seja a ranhura.
— Muito obrigado, senhor Vento —responderam todas ao mesmo tempo.

O Vento seguiu em direção às cidades, voou sobre os telhados, entrou nos vales profundos, subiu às montanhas mais altas e até penetrou no interior do bosque. Ali, um brilho ofuscante chamou-lhe a atenção. Aproximou-se silenciosamente. Viu então uma luz muito forte a sair do interior de uma caverna. E… oh, surpresa das surpresas! Estava ali o tal pedaço da estrela, dependurada no teto da caverna, a iluminar duas pequenas fadas.

E o Vento perguntou:
— O que fazem com esta ponta de estrela? Todos a procuram e a sua dona, a estrela Brilhantina, está desesperada.

As fadas responderam:
— Senhor Vento, ontem à noite vimos cair uma luz do céu e fomos ao bosque ver o que era. Encontrámos este pedacinho de luz e levámo-lo para a nossa caverna para que nos iluminasse. Perguntámos por todo o lado a quem pertencia, mas ninguém nos soube dizer nada.

— Apressemo-nos a levá-la ao céu antes do anoitecer, para que a estrela Brilhantina ainda possa iluminá-lo esta noite — disse o Vento.
— Agora que sabemos a quem pertence, gostaríamos de entregá-la à Brilhantina. Podemos acompanhar-te?

As fadas pegaram na ponta, cada uma do seu lado, e o Vento fê-las subir tanto e tão alto que logo chegaram ao lugar onde viviam as estrelas. Houve então um grande rebuliço.

— Brilhantina! Acorda, encontrámos a ponta que perdeste! — gritaram as suas companheiras.
Quando Brilhantina abriu os olhos, viu-se rodeada das amigas estrelas, do Sol, do Vento e das duas fadas que transportavam a pontinha, e pôs-se a dar saltos de alegria.

— Obrigada, amigas, muito obrigada por terem encontrado a minha ponta! — disse às estrelas.
Mas elas, de imediato, disseram:
— Não, Brilhantina, não fomos nós que a encontrámos, foi o senhor Sol.

E este acrescentou:
— Não, minhas queridas estrelas, não fui eu quem a encontrou, foi o senhor Vento.

Mas o senhor Vento logo esclareceu:
— Não, senhor Sol, não fui eu que a encontrei, foram estas duas pequenas fadas.
E as pequenas fadas contaram como a tinham encontrado no bosque.

Então, a estrela Brilhantina, emocionada, disse:
— Agradeço-vos, pois entre todos encontraram a minha pontinha! A partir de hoje, serei a primeira a aparecer ao anoitecer para cumprimentar o senhor Sol, despedir-me do senhor Vento antes do recolher da brisa, e iluminar o caminho do bosque para as amigas fadas.

É por isso que, desde então, à noite, no horizonte, aparece uma estrela, antes de todas as outras, para que a promessa feita aos amigos se cumpra.

Begoña Ibarrola
Cuentos para sentir 2: Educar los sentimientos
Ediciones SM, 2003, Madrid
(Tradução e adaptação)

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