O desabrochar da sabedoria

menina ramo 5 px

Preferia ter rosas na minha mesa que diamantes ao meu pescoço.
Emma Goldman

A minha mãe adora flores. Assim que vem o tempo quente, irão encontrá-la a plantar, a adubar, a regar, a tirar ervas daninhas, a preocupar-se com tudo, desde túlipas a crisântemos. Durante uma série de anos vivemos lado a lado uma da outra, e ela passava tanto tempo no meu jardim como no dela. Em cada verão, depois de os botões ficarem em flor, ela cortava ramos coloridos para alegrar o interior das casas — tanto a dela como a minha. Muitas vezes eu chegava a casa, vinda do trabalho, e encontrava um belo arranjo de flores frescas na minha mesinha do café ou no meu móvel de lavatório da casa de banho.

Um ano, faltava pouco para o Natal, uma florista lançou uma oferta especial de um ramo de flores por mês. Podia ser uma excelente maneira de lhe agradecer, ao longo do ano, por todas as flores que ela me tinha oferecido todos estes anos! Nem conseguia esperar até ao Natal para poder dar-lhe este presente! Depois das festas, no princípio de janeiro, levei-a à florista para ir buscar o seu ramo do primeiro mês. Mas o pequeno ramo de botõezinhos de flores misturadas que a florista lhe entregou, ainda que frescas e coloridas, dificilmente chegaria para encher uma jarra pequena. Fiquei tão constrangida… Mas a beleza está nos olhos de quem a vê, e as mães são ótimas a acalmar os sentimentos dos filhos. Depois de regressarmos a casa, ela começou a arranjar a meia dúzia de hastes que tinha recebido.

“Mãe, desculpa,” disse-lhe eu. “Nem consigo acreditar como esse ramo é pobrezinho.”

Ela olhou para mim e sorriu. “Não te preocupes!” disse enquanto endireitava as flores. “Assim eu posso desfrutar melhor da beleza de cada botãozinho.”

Fui atingida pela perceção profunda revelada pela sua observação, porque ilustrava bem como ela gosta de flores, de todas e de cada uma. No entanto, também se aplicava de modo acutilante à vida em geral e ajudou-me a compreender algo maior e mais importante – que quando temos demasiadas coisas boas esquecemo-nos muitas vezes de desfrutar da beleza de cada uma. Obrigada, Mãe, por me ajudares a entender que menos é, muitas vezes, mais.

Kathy Harris

Jack Canfield, Mark Victor Hansen, Wendy Walker
Chicken Soup for the Soul: Thanks Mom
Florida, HCI, 2010

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