No mundo dos livros

De ler e andar

De ler e andar, poema de Alcides Buss

Emoções – Larry Schug

Larry Schug

Há dias

Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-se comigo
quero eu dizer:

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Caixinha de música

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Lugares da minha infância
como vos perdi!
A minha lembrança
não vos reconhece
ao voltar aqui.

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Verão

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Há um restolhar dormente entre troncos e ramos (…)
O ar cheira a peras. A casa dos avós. O bafo preguiçoso
do burro encostado ao poço. O cesto de ameixas luzidias
como bolas de vidro amarelas e vermelhas.

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Deixem as crianças vir

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Deixem as crianças vir
equilibradas num pé
periclitantes nas cordas da dança Continuar a ler

Mãe

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Os filhos não são um eu separado das mães

Com elas ao nosso lado nós tínhamos

Um útero, um cordão

De ouro invisível, com elas ao nosso lado

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Cada árvore é um ser

árvore tradução Word

Continuar a ler em: Uma reflexão por dia II

E aprendemos

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Depois de algum tempo,
aprende-se a subtil diferença
entre tomar uma mão
e aprisionar uma alma,  Continuar a ler

Carpe diem – Aproveita o dia

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Carpe diem amigo

o dia claro com cheiro de açucenas

dia aberto sem portas nem telhado

dia a escorrer pelas fendas da muralha

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Os mortos justificados

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Demoliram o país de Ahmed.
Erro de construção, justificaram.
Os pilares assentavam numa fé errada.

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A palavra inicial

Vi morrerem estas rosas,

enquanto a tarde caía;

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A luz oblíqua

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A luz oblíqua da tarde
Morre e arde
Nas vidraças

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Flor

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Façamos
da interrupção
um caminho novo.
Da queda
um passo de dança,
do medo
uma escada,
do sonho
uma ponte,
da procura
um encontro.

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Metamorfoses da casa

Ergue-se aérea pedra a pedra
a casa que só tenho no poema.

A casa dorme, sonha no vento
a delícia súbita de ser mastro.

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Caixa mágica

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Um livro
é uma beleza,
é uma caixa mágica
só de surpresas!

Um livro
parece mudo…
Mas nele a gente
descobre tudo!

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Outra Margem

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E com um búzio nos olhos claros
Vinham do cais, da outra margem
Vinham do campo e da cidade
Qual a canção? Qual a viagem?

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Luz

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Aguardamos uma luz de seiva
que reacenda a treva que nos cega.

Uma luz que não fira a brancura dos muros
nem as sombras dos alpendres
onde plantámos as giestas bravas.

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Shirley Ann Eales

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Na vitrina lê-se Livros Raros
e Usados sob o azul inclinado
de um toldo – mesmo em frente
à glacial cafetaria de franchise
onde o dia destrata o desejo
e não se pode fumar. Subo
aos pequenos gabinetes
mergulhados no doce bafio
da literatura e percorro de A
a Z as espinhas estreitas

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Terra

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Nunca a terra assim se disse
na beleza calma das águas
na melopeia frágil dos seixos
raiados de azul e prata
e nos meus olhos que ulcerados
de aparente sem sentido
devagarinho pousam nas raízes
dos lírios adormecidos

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Nuvens

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Encantei-me com as nuvens, como se fossem calmas
locuções de um pensamento aberto. No vazio de tudo
eram frontes do universo deslumbrantes.
Em silêncio via-as deslizar num gozo obscuro
e luminoso, tão suave na visão que se dilata.

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Os livros

Os livros. A sua cálida,
terna, serena pele. Amorosa
companhia. Dispostos sempre
a partilhar o sol
das suas águas. Tão dóceis,
tão calados, tão leais,
tão luminosos na sua
branca e vegetal e cerrada
melancolia. Amados
como nenhuns outros companheiros
da alma. Tão musicais
no fluvial e transbordante
ardor de cada dia.

Eugénio de Andrade

Coisa pouca é a poesia

barco papel 1m

Coisa pouca é a poesia
pedacinhos de nada
por aqui e por ali
no dobrar de cada dia.

Uma gota de orvalho
uma papoila encarnada
uma lembrança feliz
na algibeira guardada.
Um sorriso uma quimera
um sono de criança
no florir da primavera.

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