
Naquela tarde fria de dezembro, a casa parecia suspensa no tempo. Lá fora, a geada cobria os ramos despidos e o vento arrastava folhas secas pelas ruas silenciosas. Mas, no interior, a cozinha fervilhava de vida: o cheiro do pão acabado de cozer misturava-se ao aroma doce da canela, da casca de laranja e do vinho quente que repousava ao lume, libertando lentamente a promessa de um Natal aconchegante.
A mesa estava já preparada na sala, coberta com uma toalha branca bordada há muitos anos pela avó, agora guardada como tesouro de família. Sobre ela, dispunham-se ramos de azevinho, pinhas apanhadas no bosque e maçãs brilhantes, misturadas com romãs e uvas que davam ao conjunto a cor de uma festa antiga. Ao centro, três velas altas ardiam, lançando uma luz trémula que dançava nos rostos reunidos.
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