
O vento de outono arrastava folhas douradas pela calçada, ondulando-as pelo ar como se estas hesitassem entre ficar ou deixar-se ir. Margarida aconchegou mais o casaco, mas, ao contrário de outras vezes, não foi por sentir frio. Era um hábito. Um reflexo antigo de quando ele a atraía a si e lhe dizia que o vento era demasiado forte, e que ela devia abrigar-se. Como se fosse uma pessoa frágil. Como se precisasse de ser protegida de tudo.
Até ao dia em que percebeu que as suas escolhas já não eram suas. Que, quando dizia que queria café em vez de chá, ele teimava em impor a sua vontade. Primeiro, como simples sugestão.
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